quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Impressões... não imprimidas ou impressas



Robert Enke - Deu umas alegrias aos benfiquistas quando ajudou a ultrapassar o poderoso Paok de Salónica da Grécia, ao defender uns penalties nas competições europeias. Percebia umas coisas de baliza. Não renovou com o Benfica porque tinha uma proposta melhor do Barcelona, só fez bem. Já fez 10 anos desde que veio para o Benfica, o tempo passa... Sendo alemão, conseguiu aprender português em três meses. "Acariava" muitos cães abandonados que via na rua. Talvez não teve mentalidade tão forte como a do Marco Caneira e ultrapassar a morte da filha. Paciência. Obrigado Enke!

Nobel da Paz - Obama tanto poderia ter ganho o Nobel da Medicina como o da Química como o da Paz... Tudo áreas em que ele fez exactamente o mesmo: muito pouco. Normalmente atribui-se o prémio numa perspectiva retrospectiva da vida do sujeito que o mereceu. Desta vez optou-se por oferecê-lo numa perspectiva prospectiva. Na expectativa do que irá fazer. Obama terá um raio de acção muito limitado, será vergonhoso meter o pé na argola em matéria de Paz. Quanto ao prémio, se até o Henry Kissinger o ganhou, está tudo dito.

Eleitores fantasmas - Existem mais de 200 mil eleitores fantasmas só na zona centro (que já morreram, ou mal inscritos). Não se esqueçam do sujeito que conseguiu votar 2 vezes nas legislativas. Se desses 200 mil, 3 mil forem de Mira, lá se iria a quantidade de deputados municipais, vereadores e verbas e outros que tais. Essas coisas dependendem do número de eleitores inscritos. Muito do nepotismo, acabava..

Propostas - Alguém referiu que há areias que se acumularam a jusante da Ria Padre S. Miguel em pleno leito da Vala da Sapateira! E que é necessário tratar disso porque se o não fizerem, vamos ter problema grave naquele local com as eventuais chuvas que se avizinham!

Impressões... não imprimidas ou impressas


CGTP - Admito que reivindicar um aumento de 25 euros no salário mínimo que corresponde a 80 cêntimos a cada trabalhador por dia, nem às PME causaria mossa. Já não posso é concordar com Carvalho da Silva quando diz que esses 25 euros seriam importantes a circular na nossa economia. Importantes para quem? Para a importação? Serão mais 25 euros por mês a fugirem para o exterior (carne da Argentina, batatas de Espanha, tremoços do Chile, cebola de França, etc).

Benfica - Ainda não deslumbrou. Algumas goleadas, sim senhor. Três derrotas, na Grécia, Ucrânia e em Braga. Não passou no Minho, ao teste de aspirar a Super-equipa. Mas continua a ser o único clube que numa Segunda-Feira à noite chuvosa e deprimente, consegue pôr toda a gente num café a cantar "Glorioso SLB" por causa de um golo à Naval. O Benfica é isto! Poderão dizer que a desabituação às vitórias provoca falta de ambição. Pode ser...ou pode ser apenas pelo facto de se tratar do... BENFICA.

João Tomás - Ainda me lembro de o ver no ataque da Académica ao lado de Kibuey. Chamavam-lhe o Jardel do Calhabé (zona onde está o Estádio de Coimbra). Também era conhecido por John Thomas. Já não era novo e por 40 mil contos (o valor de um apartamento) rumou para o Benfica. Hoje continua a jogar muito à bola. Metê-la lá para dentro é com ele.

Atrasos 1 - Às vezes esquecemo-nos de nos remeter à insignificância do nosso atraso. Ainda choca quando se ouve dizer que sujeitos de 31, 32 anos e por aí fora levaram reguadas na Escola Primária para serem obrigados a escrever com a mão direita, quando eram canhotos. O pior é que esses professores sem formação, atrasados mentais, recebem e pavoneiam-se com chorudas reformas.

Atrasos 2 - Não esquecer que ainda em 1990, um indivíduo que fosse trabalhar para Ponta Delgada e que fumasse SG Ventil, só conseguia pôr essa marca nos queixos, se a mulher lhe enviasse uns volumes, oriundos de Portugal Continental. Convém não criar uma imagem irreal do país que somos e fomos.

Fojo - Há poluição na vala do Fojo? Aquilo é só fábricas a deitar para lá detritos!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pantominices


Empresas Públicas - As empresas públicas são organizações complexas. Foram concebidas para serem complicadas e sinuosas. Será que as suas tecnoestruturas se têm tornado imunes a qualquer conceito de racionalidade democrática? Tornaram-se cada vez menos fiscalizáveis. Nas zonas onde era possível algum controlo foram-se inventando compartimentos labirínticos para o neutralizar, com centros de custos onde se lançam verbas no pretexto teórico de elaborar contabilidades analíticas, mas cujo efeito prático é tornar impenetráveis os circuitos por onde se esvai o dinheiro público. Há sempre mais um campo a preencher em formulários reinventados constantemente onde as rubricas de gente que de facto é inimputável são necessárias para manter os monstros a funcionar. Sem controlo eficaz, nas empresas públicas será possível roubar tudo? Uma resma de papel A4, uma caneta BIC, um milhão de Euros, uma auto-estrada ou uma ponte? Se calhar por isso mais de metade do produto do trabalho dos portugueses está a fugir por esse mundo obscuro que muito poucos dominam.

Pão - No outro dia um sujeito comeu um pires de moelas (oriundas do Brasil, aqui já nada se produz), por 1,80 Euros e achou estranho (e reclamou) na conta também constar um pão por 30 cêntimos.
Das três, uma! Ou esse sujeito não vai ao supermercado fazer compras, ou tem vergonha de reclamar nas grandes superfícies, ou é alguém que vive atrelado à accção social do estado, vivendo num mundo onde as coisas são dadas e claro, como oferecidas, vêm livres de imposto. É que ainda há pouco tempo, num hipermercado, 4 pães custavam 70 cêntimos. É só fazer as contas de quanto custa cada um e de por quanto se devem vender num estabelecimento para acompanhar as moedas.

Produção - Aqui não se produz nada, e quem produz, quem trabalha, ainda acaba por ser marginalizado socialmente. Um engenheiro informático, trocou a vida dos teclados pela calma da pastorícia no Alentejo. Precisava de ir buscar um documento a uma repartição pública e lá foi ele com a roupa e as botas do trabalho, sujas, claro, falei em trabalho! Ao chegar lá a funcionária estava-se a recusar a atendê-lo, dizia ela que o sistema informático estava avariado. O especialista pediu-lhe para lhe virar o monitor ao que ela recusava. Nisto chega o chefe da secção. O informático lá disse para marcar a tecla f5 (talvez era essa, não sou especialista) e verificou que o sistema estava a funcionar. A senhora fidalga não lhe estava apetecer fazer muito e não foi à bola com o aspecto do engenheiro (que ela não sabia que o era). Teve que despachar o documento, pois então. Coitada, tinha o pavor e o complexo do trabalho. Deve ser qualquer coisa como ergofobia. Para quê criar ovelhas se os pobres da Austrália e da Nova Zelândia o fazem? O problema é saber qual dos três países é o menos desenvolido.

A lei é o que é - O órgão supremo da justiça portuguesa considerou inválidas as escutas ao primeiro-ministro (PM), pois, de acordo com o Código Penal publicado em 2007, o Supremo Tribunal de Justiça tem de "autorizar a intercepção, a gravação e a transcrição" de conversas envolvendo o PM. Segundo o despacho, o STJ considera que as escutas não têm relevância criminal. Como diz o outro, palavras para quê?

Cisternas - É possível que andem a vazar cisternas na lagoa dos palhais! Vamos lá ver, desconhecia a existência dessa lagoa. Não tenho vergonha de ser ignorante. O Seixo é grande (em área), e não sou nenhum Francisco Assis (líder da bancada parlamentar do PS) para ser presidente da câmara de Amarante aos 28 anos. Aos 28 anos?!! Mas isso é idade para se ter experiência para se conhecer a realidade duma região? Estes precoces só mesmo em Portugal. Adiante, quem está no poder é que tem obrigação de conhecer a fundo essas hidro-qualquer-coisa.

Obras - Já propuseram uma sondagem para averiguar que obras se devem fazer pelo executivo do Seixo nos próximos 4 anos! Não embarco na megalomania de fazer obras. Já dei a lista de acções possíveis de desenvolver, em posts anteriores, pequenos pormenores a melhorar. Vou colocar o quê na sondagem? Os programas eleitorais do PSD e PS para o Seixo já saíram da internet! Quem os gravou, pode recordá-los, quem não os gravou fica com a sua capacidade crítica enfraquecida. Pareciam setas a saltar da net, a seguir às eleições. Onde vou buscar as ideias e os exemplos de empreitadas a fazer? Assim o povo já não tem hipótese de fazer a comparação entre o que propuseram e o que fizeram, daqui a 4 anos. Fica o apelo, quem tiver o programa eleitoral da lista vencedora, que mo envie.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Dura de roer

Quando nas aulas de educação física tínhamos de jogar voleibol com rapazes e raparigas misturadas, não havia problema nenhum. Havia raparigas que até jogavam melhor que rapazes. As fracas eram múmias, ficavam estáticas e o seu raio de acção era de 50cm à volta do seu corpo. Não faziam mal a ninguém. Quando tínhamos que jogar futebol era outra história. O jogo tornava-se uma confusão sem interesse nenhum e as nossas canelas transformavam-se em alvos. Este vídeo altera todo o conceito de o defesa trazer um alfinete para espetar no rabo do avançado! Já vi pior, atenção.

domingo, 8 de novembro de 2009

O Seixo


O Seixo é uma terra pertencente ao concelho de Mira. Segundo se consta, a origem do nome Mira provém da mutação da palavra Mir ou Emir, que em árabe significa Senhor, Governador, Príncipe ou Chefe.

Agora faz sentido o facto de quando se andava na escola preparatória de Mira (5º e 6º ano), haver lá um jornal da escola chamado Emir.

Mira é então a povoação do chefe, ou a terra do senhor.

Através das investigações de Manuel Miranda, pode-se descrever mais acerca de Mira.
Suponho que Manuel Miranda seja aquele professor de Filosofia que a geração que andou na escola secundária de Mira nos anos 80 e 90 apanhou no 10º ano. Segundo Piaget, (que nem era psicólogo, mas sim um biólogo suiço) é por volta dos 15 anos que o ser humano começa a desenvolver um pensamento abstracto. O adolescente está preparado para pensar e formular hipóteses, definir conceitos e valores, entra portanto no estádio das operações formais.

É por isso que temos filosofia no 10º ano e nos calhava o professor Miranda. Todos os professores, ou quase todos, têm alcunhas, e o professor Miranda não era excepção. A dele era Sapo. Não fomos nós que a inventámos, é o que os mais velhos diziam. Eram míticas as aulas em que ele se torcia todo a definir experiência: "A experiência é o meio pelo qual se adquire ou aprende alguma coisa através do contacto imediato com a realidade circundante."
Era com ele que se tinha o primeiro contacto com a Lógica Filosófica: premissas, inferência, argumentos, etc.
Consta-se que um dia um aluno foi convidado a sair da sala (foi para a rua) por, no meio de tantas premissas e conceitos, chegar a esta conclusão:

O calor dilata os gases
O oxigénio é um gás,
logo
O calor dilata o gato.

Segundo então Manuel Miranda, a fundação de Mira, foi feita pelos Romanos.
A povoação de Mira foi doada a Soleima Godinho. Em 1132, Soleima Godinho fez testamento da Igreja de S. Tomé de Mira ao Mosteiro de Santa Cruz. Durante longos anos, a vila de Mira foi propriedade do Mosteiro de Santa Cruz, que tratava do desbravamento de terras, desenvolvendo a agricultura, a pecuária e a pesca. Em 1342 a vila de Mira pertencia ao Rei. Mira fazia parte do concelho de Coimbra. Por este ano, o mosteiro de Santa Cruz (Coimbra) perdeu a jurisdição sobre as terras de Mira. (cont)

sábado, 7 de novembro de 2009

Sondagem do álcool


À questão "O teu nível de alcoolismo é:" responderam assim:

1º Sempre "pros queixos" 20%
2º Bebo umas pingas 16%
3º Pouco 13%
4º Às vezes toco na "buída" 10%
5º Menos de 30 cervejas por semana 6%
Mais de 35 cevejas por semana 6%
Em média 3 cervejas por dia. 6%
O médico não me deixa 6%
Sempre curtido 6%
10º Tinto, cheio. 3%
O que ganho é tudo para a "buída" 3%

A conclusão toda a gente já a sabe, é proíbido proibir de beber. O importante é a moderação para chegar aos 80 anos e poder beber umas cervejas pretas (conheço idosos assim). Tudo se pode meter para dentro (tudo menos droga), desde que de forma moderada. Até um cigarro de vez em quando não provoca grandes danos.
Temos é que fazer a democratização da buída, senão, corremos o risco de cair no ridículo como na canção "Quadras Soltas" de Sérgio Godinho "quando se embebeda o rico acham graça ao figurão, quando se embebeda o pobre dizem olha o borrachão"

Aqui fica a música e a tradução de Alcohol de Gogol Bordello.

Yeah oh yeah, você já me viu andando
Em pontes queimando
Yeah oh yeah, você já me viu cair
Em amores por bruxas
E você sabe que meu cérebro está segurado
Por dentro por pontos
E mesmo assim você sabe que eu sobrevivi
Todas suas cercas amáveis

E você sabe que eu vou atender
Todas as vezes que você ligar
só para te agradecer mais uma vez
Álcool
E você sabe que eu vou sobreviver
Toda vez que você vier
Só para te agradecer mais uma vez
Por tudo que você já fez

Álcool
Álcool

E eu sinto muito que alguns de nós
Espalhamos uma imagem ruim sua
Yeah oh yeah, por que sem você
Nada é o mesmo
Yeah oh yeah, eu sinto tanto sua falta
Toda vez que nós nos separamos
Só para alcançar mais alto
Toda vez que nos reconciliamos

Quem está subindo pela minha espinha - álcool
Eu estive esperando por muito tempo - álcool
Agora você me ensina a rimar - álcool
Só não me apunhale pelas costas com cortisol

Agora nos reunimos - álcool
E seja divino eternamente - álcool
Destrói uma lâmpada na minha cabeça - álcool
que essa cerimônia seja feliz ou triste...

Plano Inclinado





É já hoje às 22h que vai para o ar na Sic Noticias o novo programa de Mário Crespo, Plano Inclinado. O programa trata dos temas da actualidade, do Portugal real, mas sem seguir a agenda mediática. A presença de Mário Crespo, garante desde logo, o rigor e a seriedade do programa.
O painel de pensadores é constituido por:
Medina Carreira - Fiscalista (homem dos 7 oficios), a Cassandra lusitana!
Nuno Crato - Professor Catedrático, presidente da Sociedade Portuguesa de Matematica.
Joao Duque - Presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão.

Fica aqui uma parte da entrevista de Medina Carreira ao jornal Expresso, este fim-de-semana.

Há quem lhe chame incómodo, pessimista, controverso, fatalista, profeta da desgraça, treinador de bancada. Henrique Medina Carreira está-se nas tintas. Aos 78 anos, sente-se na obrigação de não estar calado e de alertar os portugueses para a "fraude" em que vivem. Fá-lo da única maneira que sabe: com frontalidade, sem medir as palavras.

Aos 78 anos, continua a estudar, a escrever e a criticar tudo e todos sem piedade. Afinal, o que o move?
É um dever trabalhar enquanto a saúde o permite e é também uma autodefesa. Move-me o facto de ser cidadão de um país pobre, pouco educado, sem a percepção disso, e que não sai da cepa torta. Por ser assim, escolhe dirigentes que não são os mais aconselháveis para o ajudar a sair do lodo em que está metido.

É o pessimista de serviço. Quando faz falta uma voz crítica, já se sabe a quem telefonar. Não o preocupa ser o incómodo número um da nação?
Não sou pessimista. Chamam-me assim porque, para me responderem, tinham de ir trabalhar, estudar os números, raciocinar. Limitam-se a chamarem-me pessimista e dão repercussão a essa ideia. É a coisa mais estúpida deste mundo e é a fórmula cómoda de tentar anular o meu pensamento. Enquanto não vir gente capaz de tomar conta deste país, sou incómodo. Quando olho para os partidos, para estes dirigentes, não posso ser outra coisa. Os factos mostram que somos a pior economia da Europa e dos países mais endividados. Até hoje, não consegui arranjar uma pessoa para discutir comigo num programa na televisão...

Têm medo de si?
Não é de mim, é dos números. Mexer em números, com rigor, dá trabalho. Os políticos e a gente que se serve disto usam o país como uma manjedoura.

Com quem gostava de debater estas questões?
Com Mário Soares, Manuel Carvalho da Silva, Jorge Coelho - agora, coitado, está impedido, por razões que são muito boas para ele -, com pessoas que liminarmente me consideram pessimista.

As suas entrevistas na SIC Notícias são um sucesso no YouTube e os seus livros esgotam. Até há uma petição a correr na Internet para lhe darem uma hora para falar na televisão. Tem noção da sua popularidade?
Sinto isso na rua. As pessoas abordam-me. Se me derem uma hora na televisão, viro muita gente do avesso! O problema é que a gente que precisa de ser virada não o quer ser. Este sistema de vida é bom para eles.

Diz sempre o que pensa. Também é assim no seu dia-a-dia? Quantas vezes já escreveu num livro de reclamações?
Nunca escrevi.

Isso é surpreendente.
Não serviria para nada. Não perco tempo com inutilidades. Ir para os tribunais hoje, por exemplo, é de pensar 30 vezes.

Tem um espírito de missão no seu discurso?
Estudei muitos anos em Portugal. Tenho perante a sociedade portuguesa o dever de tentar ajudar a pensar o país. Mas tenho medo dos missionários. Género Sócrates e companhia. Tentar abrir os olhos à população é uma tarefa que cabe a quem o Estado e a sociedade portuguesa permitiram estudar. E têm o dever de falar.

Fez três cursos. Gosta muito de estudar?
Este longo percurso foi acidentado, por razões que não eram obrigatórias. Comecei por tirar o Curso Complementar da Indústria, que eram cinco anos. Depois estive na Guiné um ano e tal a trabalhar. Quando vim, queria passar da Engenharia para as coisas sociais. Já olhava então para a sociedade portuguesa com muita preocupação. Queria ir para Economia, mas nessa altura não se transitava directamente. Havia um curso chamado Ciências Pedagógicas que permitia esse salto. Era uma espécie de Novas Oportunidades, mas em bom. Estive em Coimbra um ano como aluno voluntário. Depois pensava que transitava para o curso que quisesse, mas o Ministério da Educação disse que não. Obrigaram-me a fazer o liceu todo. Já estava casado, mas fiz o liceu em três anos. Trabalhei na indústria do aço, no Barreiro. Terminado esse percurso, entrei em Direito. Mas como a Economia era a minha velha ambição, ainda fui para Económicas.

Terminou o curso de Direito com 31 anos. Foi para Economia logo de seguida?
Não. Primeiro tive de ir ganhar a vida como advogado. Fiz o curso de Direito como empregado de escritório. Quando já tinha alguma tranquilidade, fui para Economia. Foram muitos anos, mas alguns deles foram impostos pelas circunstâncias.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Uma questão de mensageiro


Há coisas que quando ditas por mim, o seu conteúdo deixa de ter pertinência, quer pelo "tom" quer pela origem do mensageiro. Vejamos então a opinião de Mário Crespo (que subscrevo) acerca da "Face Oculta", do alto dos seus respeitáveis 67 anos:

A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça. O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras (cargos públicos que não requerem responsabilidade e trabalho).


Sobre Sócrates e Armando Vara:
Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.


Sobre o facto de Sócrates dizer que não comenta processos judiciais em público:
Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.

Oh Mário Crespo, então você, anda ressabiado? Tem conflitos mal resolvidos? Cria um mal estar geral à sua volta? Você amua se não lhe fazem a vontade? Tem cá um mau feitio...
Agora também tem a mania que quer ser um cidadão interventivo...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O que está é o que é...


Vitor Constâncio - Estou em crer que atirou foguetes no quintal da sua casa quando soube que Armando Vara pediu a sua suspensão de administrador do BCP! Era mais um fardo que tinha que carregar. Como conseguiria lidar com o os jornalistas a chateá-lo com isso?

Droga - Vejo todas as semanas detenções de erva que estava a ser cultivada por esse país. Na Lousã, por exemplo. E os agricultores às vezes são casais já de idade. Eu sei que a lei não permite cultivar. Mas estão a dar cabo da economia interna... Prefiro que se faça produção moderada de ervita natural (nada daqueles calhaus castanhos químicos), do que se ande a contrabandear de Marrocos e da fronteira com Espanha. Não se apoia mesmo a produção nacional!

Ensino Recorrente Nocturno - Hoje em dia cada vez mais é uma modalidade residual de formação de adultos. Com tendência a acabar. O número de alunos inscritos tem diminuído. Claro que vieram em substituição os EFA, os CEF, o RVCC, tudo opções válidas e legítimas para adultos que queiram aumentar as suas qualificações, e consequentemente os seus conhecimentos.
Cada adulto mediante o seu perfil, deverá escolher o processo que melhor se lhe adapte.
Mas é importante não deixar acabar o processo gémeo ao da escola formal do ensino secundário para adolescentes, um processo de duração de 3 anos com conteúdos similares, com aulas, o ensino recorrente nocturno.

Sporting - Nunca tive nada contra o Sporting. Até acho que é um clube simpático. Solidarizo-me com o prejuízo que significou o penalty não assinalado sobre o Postiga. Não posso é concordar com a proibição da entrada no estádio de tarjas com frases normais.

Paulo Bento - O Sporting tem uma grande sorte com a qualidade das pessoas que tem à frente do seu clube, gente bem formada, sensata. É necessário ouvir o que diz Rogéio Alves: o facto de Paulo Bento vir a ser despedido, não garante por si só que os resultados venham a melhorar.

Opinião do cidadão


E porque não aqui não há "melindices" em publicar a opinião do cidadão (com pés e cabeça, claro), aqui fica um pequeno texto dum cidadão da Praia de Mira, João Milheiro:

"MIRA vai para OBRAS - EN 109 recuperada e Ponte da Balança requalificada".
Bom, agora já só falta, de uma forma insistente, pressionar e sensibilizar o presidente João Reigota - o presidente "insistente" e "pressionante" - para os problemas da estrada do Lago do Mar, na Praia de Mira.

1.000 metros (não, não são 10.300 metros. São apenas 1.000 metros) do mais puro terceiro mundismo, bem no centro da Praia da Bandeira Azul e que já teve promessas do seu arranjo por alturas da campanha eleitoral autárquica de... 1997!!! E veio o governo do João Maria Ribeiro Reigota de 1997 / 2001 (com o Mário Ribeiro Maduro no seu executivo, como vereador sem funções), a seguir veio o governo do Mário Ribeiro Maduro de 2001 / 2005 (agora, com o João Maria Ribeiro Reigota no seu executivo, mas nas funções que teve o Mário Maduro no governo dele, isto é, sem funções) e está a terminar mais um governo do João Maria Ribeiro Reigota 2005 / 2009 (desta vez, e porque não quis, não houve funções para o Mário Ribeiro Maduro), e aqueles míseros 1.000 metros (não, já disse que não são 10.300 metros. São apenas e só 1.000 metros) de "estrada" está no estado miserável que todos conhecemos.

Que diabo... 12 anos, não foi tempo suficiente para cumprir tão singela promessa?

Bem, atrás de tempo, tempo vem e, com funções ou sem funções, pode ser que seja para a próxima. A ver vamos.

João Milheiro

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

????



Está a fazer agora 1 ano da nacionalização do BPN e o estado já lá injectou 3,5 milhões de euros (?!) para tapar o buraco. Segundo a imprensa, o processo de fazer regressar o banco às mãos privadas está prestes a ser concluído.
Regressar às mãos privadas????? Depois do dinheiro que se gastou? Então não pode ficar nas mãos do Estado, para ser dinheiro de todos? Isto não é de gente boa da cabeça.

Ontem estava-se no Café Amado a bater umas bolas em cima duma mesa com uma rede ao meio.
Chega um sujeito, de meia idade, que na sua sapiência e na sua presumida superioridade intelectual e talvez social, lança a questão: "este jogo tem dois nomes, vocês sabem quais são?"
Eu fiquei calado, tive o lampejo de pensar que poderia haver um nome que eu não conhecesse (tipo xin xin, ou jen xau) e não me expor. Poderia ser ignorante.
Um rapaz que estava a jogar respondeu: "então, é ping pong e ténis de mesa".
E o senhor mais velho retorquiu: "exactamente, ping pong e ténis de mesa!".
Depois de fechar a boca por ouvir tamanho diálogo de tolos, tive uma epifania silenciosa: "O Seixo é isto, é haver senhores que pensam que nasceram em berços melhores, que lhes dá acesso directo ao conhecimento e ao poder de forma hermética, com a presunção patética de pensarem que têm a responsabilidade de instruir os bichos que não descendem da linhagem azul".

Ah, é verdade, aqui há umas semanas descobri um senhor que possui uma das chaves do Salão (aquilo são várias chaves, que quando juntas, acendem uma luz do poder eterno, como nos filmes)! E mostrava orgulho em tê-la. Explicar porque é que a tem e não um outro sujeito qualquer é que está quieto.

Tudo o que está...


Saramago - Nem doutor nem engenheiro, apenas um génio! Enquanto hipotético católico, o que é que me incomoda o facto de Saramago dizer que a Bíblia é um manual de mau costumes?! Zero! Cabe-me a mim, (se eu quiser), ler a Bíblia e tirar as minhas conclusões. Não alinho nas falsas moralidades nem nas pseudo-virgens ultrajadas. É a opinião de uma pessoa (neste caso um ateu), respeito-a, e de que maneira! Um homem que trabalhou a sério (foi serralheiro), não foi à Universidade (não tinha posses) e se tornou no que é, à base do mérito e trabalho (auto-didáctico), tem o meu apreço.

Feudalismo - Afinal até existe em muitos lados. Aqui estão uns excertos do que Vasco Pulido Valente diz de Saramago:
"São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito
".... "Claro que Saramago ganhou o Prémio Nobel, como vários camaradas que não valiam nada, e vendeu milhões de livros, como muita gente acéfala e feliz que não sabia, ou sabe, distinguir a mão esquerda da mão direita. E claro que o saloiice portuguesa delirou com a façanha....É extraordinária a importância que lhe deram criaturas com bom senso e a escolaridade obrigatória.”
Onde é que eu já vi esta aristocracia falida que se agarra pateticamente ao argumento do berço e que tem um ódio cego por quem tenta subir ao cume pelas suas próprias mãos?

Face Oculta - Eu bem que desconfiava que o título desta Operação tinha a ver com aquela casita nocturna que funciona para os lados de Aveiro. Tirando as pessoas que conhecem e lidam com a sub-região do Baixo Vouga, o resto do país passa ao lado de mais uma demonstração de criatividade por parte da PJ para dar nomes engraçados às suas incursões pelo mundo da podridão. Atenção, quando estão envolvidas REFER e REN, empresas públicas, isto mexe com todos.

Armando Vara - Há uns meses, já tinha alertado aqui para estarmos atentos a este senhor. Na América existe o "american dream". Por cá temos o sonho português. É a história de um rapaz que 3 dias depois de tirar o curso de Relações Internacionais na Universidade Independente (havia de ser onde?) é colocado na administração da Caixa Geral de Depósitos. Como se sabe, o seu curso tem muitas "cadeiras sobre administração" da Banca. Um mês e meio depois de ter abandonado a Caixa Geral de Depósitos para assumir a vice-presidência do Millenium BCP (com licença sem vencimento, à cautela) foi promovido na CGD ao escalão máximo de vencimento, o nível 18, o que terá reflexos para efeitos de reforma. Entretanto já foi membro de governos do PS. Pelos vistos, os 480 mil Euros que ganha do BCP por ano (ainda lá metem o vosso carcanhol?) não lhe estavam a ser suficientes... Sócrates diz que temos inveja social do Vara! Viva a Face Oculta!

Cartaz - Uma terra que aceita pacificamente (sem perguntas, questões, indignação) e de forma tranquila que no dia de eleições um cartaz tenha que estar tapado ao lado de um que tem permissão para estar descoberto, não deve respirar muita saúde. Será asma, bronquite, ou asfixia?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Autarquias...ainda...


Ainda as autarquias. Ainda os funcionários. Se se der como certo que há uma autarquia com 248 funcionários e 8192 votantes conclui-se que existe um funcionário para cada 33 cidadãos que votam. É obra! E ainda sobre leis, vejam esta:

Artigo 57º
Composição
1 - É presidente da câmara municipal o primeiro candidato da lista mais votada ou, no caso de vacatura do cargo, o que se lhe seguir na respectiva lista, de acordo com o disposto no artigo 79.º
2 - Para além do presidente, a câmara municipal é composta por:
a) Dezasseis vereadores em Lisboa;
b) Doze vereadores no Porto;
c) Dez vereadores nos municípios com 100000 ou mais eleitores;
d) Oito vereadores nos municípios com mais de 50000 e menos de 100000 eleitores;
e) Seis vereadores nos municípios com mais de 10000 e até 50000 eleitores;
f) Quatro vereadores nos municípios com 10000 ou menos eleitores.
3 - O presidente designa, de entre os vereadores, o vice-presidente a quem, para além de outras funções que lhe sejam distribuídas, cabe substituir o primeiro nas suas faltas e impedimentos.



Mas porque é que Mira tem 7 e não 6 vereadores? Para dar número ímpar? Então porque é que não faziam logo a lei com estes escalões: cinco, sete, nove, onze, treze, dezassete?

Como é que segundo o INE, em 2008, Mira tinha 13 295 pessoas, e agora tem 13.029 votantes. Só 224 residentes em Mira é que não são eleitores!!!!!!! É obra!!! O que se faz para poder acesso a mais dinheiro público!! Até manipular dados serve.

Agora o Seixo, há uma lei que diz:

Artigo 29º
Substituições

1 - As vagas ocorridas na junta de freguesia são preenchidas:
a) A de presidente, nos termos do artigo 79.º;
b) A de vogal, através de nova eleição pela assembleia de freguesia.
2 - Esgotada, em definitivo, a possibilidade de preenchimento da vaga de presidente, cabe à câmara municipal, após a comunicação do facto pelo presidente da assembleia de freguesia, proceder à marcação de novas eleições para a assembleia de freguesia, no prazo de 30 dias, com respeito pelo disposto nos n.os 3 e 4 do artigo 11.º e sem prejuízo do disposto no artigo 99.º
3 - A comunicação referida no número anterior deve ser feita no prazo de oito dias a contar da data da verificação da impossibilidade.

Será que houve eleições na assembleia para eleger o vogal? Ou nem sequer houve substituições?

Autarquias...ainda...


Então a lei diz: os municípios só devem ter x vereadores a tempo inteiro, mas o presidente pode decidir que tenha mais.
Sobre a coerência da lei estamos conversados. É ilegal ter mais que o limite mas (como em todas leis em Portugal) lá arranjaram uma alínea para desautorizar a lei anterior. Chama-se a isto chico espertice. Só vem reforçar a ideia que as leis em Portugal não são claras, não são coerentes, não estão ao serviço do povo.
Vejamos por outro prisma: criou-se uma alínea para salvaguardar casos especiais em que uma autarquia precisa de mais vereadores a tempo inteiro. Até concordo, cada caso é um caso e às vezes pode-se justificar. Por exemplo, justificaria-se numa autarquia com 19 mil eleitores (perto dos 20 mil) com grande área, ou para garantir o equilíbrio e a estabilidade que este executivo necessita para poder responder com eficácia aos munícipes e por forma a assegurar o normal funcionamento dos serviços desta autarquia.
Sim senhor, neste caso aceitava-se o aumento de vereadores a tempo inteiro, e justificava-se passar para o escalão seguinte e ter 2 vereadores a ganhar dinheiro. Mas não, temos 3 duma assentada, passamos 2 escalões à frente.
Lá porque as outras câmaras fazem o mesmo, a trafulhice de colocar mais gente a ganhar dinheiro, não quer dizer que se tenha de fazer o mesmo. Lá porque o Fernando Ruas é o presidente de um dos maiores flagelos da democracia, não quer dizer que se tenha que alinhar nas suas acrobacias. Se a lei prevê aqueles escalões consoante o número de eleitores, deve haver alguma razão para isso. Se acham que não chega o número de vereadores, falem com o Fernando Ruas, mas por favor não façam a massificação do que estava previsto só para casos especiais.

Urge varrer o exército de acessores e avençados que pululam nas autarquias. Canalizar dinheiros públicos para resolver situações dos municipes e não para salários de gente que no seu emprego não iria conseguir ganhar 400 contos por mês. Remodelar essa casta de gente que se julga acima de tudo. Deve-se parar de desperdiçar dinheiro.

Conclusão: para se passar de 1 para 3 assalariados principescamente tem que se ter a consciência ética, social e cívica de o justificar muito detalhadamente, com bons argumentos.
Caso contrário é ILEGAL.

Autarquias...ainda...


Como já se disse aqui, só falta tornar isto num Diário da República. Vamos ver então o que diz o o artigo 58 doutra lei sobre autarquias.
1 - Compete ao presidente da câmara municipal decidir sobre a existência de vereadores em regime de tempo inteiro e meio tempo e fixar o seu número, até aos limites seguintes:
a) Quatro, em Lisboa e no Porto;
b) Três, nos municípios com 100000 ou mais eleitores;
c) Dois, nos municípios com mais de 20000 e menos de 100000 eleitores;
d) Um, nos municípios com 20000 ou menos eleitores.
2 - Compete à câmara municipal, sob proposta do respectivo presidente, fixar o número de vereadores em regime de tempo inteiro e meio tempo que exceda os limites previstos no número anterior.
3 - O presidente da câmara municipal, com respeito pelo disposto nos números anteriores, pode optar pela existência de vereadores a tempo inteiro e a meio tempo, neste caso correspondendo dois vereadores a um vereador a tempo inteiro.
4 - Cabe ao presidente da câmara escolher os vereadores a tempo inteiro e a meio tempo, fixar as suas funções e determinar o regime do respectivo exercício.

Que é que se trata este tipo de leis? Já se sabe que as leis são aprovadas muitas vezes por políticos de plástico (deputados), que nunca tiveram vida a sério: um trabalho, angústia de procurar trabalho, de ficar desempregado, de fazer continhas ao final do mês, de subir na carreira atrvés da meritocracia. Não poucas vezes também, esses deputados são advogados de escritórios que representam grandes empresas e senhores que lhes convêm que sejam aprovadas certas e determinadas leis.
São senhores que vivem em gabinetes e que conhecem pouco da realidade do dia-a-dia. Mas como são indispensáveis ao funcionamento mínimo do país, são dos primeiros a ser vacinados por aquela vacina que não entra em critérios norte-americanos.

No caso de Mira a lei diz: a autarquia deve ter o limite de 1 vereador a tempo inteiro. Só temos uns míseros 13 mil eleitores (mal contados), muito menos que 20 mil.
Mas o presidente pode fixar um número que exceda os limites anteriores.
Alguém sabe o quer dizer a alínea 3? Não quero arriscar a interpretação.
(cont)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Quem paga?


Ainda sobre o número de funcionários da câmara de Mira, existem indicações que são 248, a quantidade de funcionários existentes em 2009 e parece que há espaço para mais 77. Hipoteticamente poderão ser 325 trabalhadores. Dá apenas 1 funcionário para 40 habitantes. Ou como actualmente, só 1 funcionário para cada 53 habitantes.

Não podia vir mais a propósito a notícia do Diário de Coimbra de que Rocha de Almeida tomou posse como vereador no outro dia. Uma espécie de vereador desterrado que nem pelouro irá ter.
E parece que houve na tomada de posse uma pequena "discussão" (debate cordial) para bem do concelho. A propósito de quê? A proposito da quantidade de vereadores a tempo inteiro!

Vamos contextualizar o assunto:
Existem 3 tipos de vereadores, vereador a tempo inteiro, vereador a meio tempo e vereador sem regime de permanência. Vou dar um exemplo duma câmara com menos habitantes do que Mira:
"um vereador a tempo inteiro ou em regime de permanência, numa Câmara como a de Boticas (Vila Real,a terra daquele padre que tem armas em casa), recebe 40 por cento do vencimento base do Presidente da República, tendo ainda direito a mais 20 por cento (do valor do vencimento) em despesas de representação. Por sua vez, um vereador a meio tempo tem direito a metade da remuneração e do subsídio acima referidos. Os autarcas sem regime de permanência têm apenas direito a senhas de presença nas reuniões de Câmara."

Segundo a Lei de 2009, há três escalões a considerar. No caso das câmaras de Lisboa e Porto podem existir quatro vereadores a tempo inteiro, câmaras com mais de 100 mil habitantes podem ter três e mais de 20 mil, dois vereadores.

À luz do nº1 do artigo nº 58 da Lei nº 5-A/2002, nos municípios com 20.000 ou menos eleitores, o limite de vereadores a tempo inteiro é de UM;

Os eleitos locais EM REGIME DE PERMANÊNCIA têm direito:
a) A uma remuneração ou compensação mensal e às despesas de representação;
b) A dois subsídios extraordinários anuais;
d) Às ajudas de custo e subsídio de transporte;
e) À segurança social;
r) Ao subsídio de refeição.

Segundo o Diário de Coimbra, Rocha de Almeida insurgiu-se contra o facto de que Mira tem mais dois vereadores a tempo inteiro e um a meio tempo do que a lei consagra!

Mira, esse super concelho só comparável a Barcelos (89 freguesias) ou Odemira (maior área do país) tem 3 vereadores a tempo inteiro um a meio tempo, por razões de descentralização de serviços, aproximando-os dos cidadãos e pela exigência de trabalho (dos vereadores) por parte da QREN. É preciso a QREN exigir trabalho? Paga zezinho.
Ah, os pelouros ainda não estão distribuídos!

Ps: Agora que a nova equipa para a junta do Seixo vai tomar posse, quem quiser ficar esclarecido sobre os elementos que compunham a equipa que está a findar funções, visite: http://www.cm-mira.pt//Templates/GenericList.aspx?id_class=696&divName=908s487s1035s696 .

Ps: A Floribela esteve no Seixo no outro dia... uuuuuuuuu!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Desculpas


Peço desculpas a toda a classe trabalhadora (traduzido por miúdos, os que trabalham) por ter partido do princípio que a câmara de Mira só tinha 50 funcionários!
Segundo a acta de 31 de Maio de 2002:

Assim, verificou-se um intervalo, cerca das 22:50 horas. Ainda antes disso, o sr.
Presidente da Mesa, Dr. Gabriel da Frada, fez uma intervenção no sentido de dizer
que, se fosse ele o Presidente da Câmara, das obras que estavam
projectadas, a primeira que fazia era um novo edifício dos Paços do
Concelho, uma vez que o existente, onde trabalhavam mais
de centena e meia de pessoas, muitas delas em condições
degradantes, não tinha, de facto, o mínimo de condições físicas; que, se tinham respeito por si
próprios, deviam igualmente ter respeito pelos outros que consigo trabalhavam e o edifício
não tinha o mínimo de condições para que pudesse haver o mínimo de rentabilidade e, no fim,
os funcionários eram rotulados de incompetentes, preguiçosos, etc, porque as condições físicas
condicionavam a produtividade das pessoas e o seu bem-estar. Deu como exemplo as
condições em que estava a trabalhar a Bibliotecária, assim como outros funcionários
instalados em sótãos e sítios análogos, sem o mínimo de dignidade; que, se se queria dar
condições de trabalho às pessoas e ter pessoal ao serviço com alguma qualidade, satisfeito e
realizado, não podia ser descorado esse aspecto que, para além de humanamente ser exigível
era de uma importância vital; que, inviabilizar um projecto de execução de um edifício com
condições para as pessoas trabalharem, era não estar a dar importância às pessoas que ali
trabalhavam (página 14) ------------------


Portanto 150 pessoas é um mínimo... isto em 2002.
Estamos a falar de estruturas compactas, pesadas, densas, onde se sobrepõem pessoas em cima de pessoas... Quem é que suporta estas estruturas?
Eu sei... e tu?

Só para lembrar, por exemplo, grande parte do orçamento do ministério da cultura (aqui há uns anos) era consumido em salários para pagar a tanta gente do minitério. Onde o ministro dava um despacho que chegava ao secretário de estado que empatava aquilo (lacracanhava)... É muita burocracia, é muito sujeito para sustentar...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Eleições no Seixo


Procedamos à descodificação dos resultados. Através da utilização do método de Hondt conclui-se que o PSD obteve maioria absoluta por 4 votos. Mas não foi por 4 pessoas. Se fizerem as contas, para o PSD ter minoria teria que ter menos 16 votantes, ou o independente teria que ter mais 10 votantes. Como queiram. A negrito e sublinhado na tabela está a proveniência dos 9 elementos que irão ocupar a assembleia de freguesia.

Vejamos: cada lista tem mais ou menos 25 elementos. E cada lista consegue apresentar um conjunto de 60 apoiantes, o amigo do amigo, o irmão, o pai, etc. Logo, cada lista tem 85 a 100 votos garantidos. Imaginemos que cada lista tem à partida 100 votos. Significa que começam as 3 em igualdade de circunstâncias. Então o PSD foi caçar 296 votos, o Independente foi buscar 187 votos e o PS foi buscar 37 votos.

No dia 27 de Setembro de 09, para escolher o Primeiro-Ministro, 472 pessoas do Seixo votaram na Manuela Ferreira Leite que é do PSD. 472 pessoas votaram no partido que asfixia o Passos Coelho porque não tem a mesma opinião da Manela. O partido que tem arguidos nas listas de deputados. O partido em que ninguém se entende. O partido em se compram votos para subir internamente. O partido em que João de Deus Pinheiro concorreu por Braga a deputado, foi eleito, mas como estava à espera de ser ministro, voltou outra vez para eurodeputado. Esteve meia hora na Assembleia da República. Quem ficou com o lugar dele? O líder da JSD. Está explicado para que servem as jotas. Ora se 472 pessoas do Seixo pensam assim, onde está a dificuldade em arranjar 296 votos de um universo de 472 laranjas. O PS teve 137 votos, 2 semanas antes 152 pessoas tinham votado no Sócrates, portanto bate certo, ainda assim perderam votos, incrível.

O que é fantástico é que a lista Independente foi buscar 187 votos. Foram 187 pessoas que apesar de serem laranjões (e alguns rosas, PP e BE), não se revêem na antiga equipa da Junta. Parece muito mau o PSD local, ficar sem 120 (mais ou menos) indefectíveis do PSD a nível Nacional. Ganharam sim, mas perderam muito. Ou melhor, levaram um aviso. Ou dão ao pedal ou os idosos laranjas acabam por "cair podres da árvore" e passam a não ser suficientes.

Uma coisa é certa, 54%, 455 pessoas do Seixo (a maioria, portanto), votaram noutras pessoas que não estas para ter à frente dos destinos da Junta. E este é um facto incontornável com que todos vão ter que viver, e cada um com razões diferentes, terão que saber respeitar-se uns aos outros. Portanto, há pouca margem de manobra para certos sujeitos terem o rei na barriga. Outros até vão ter que saír do pedestal para falar com o Zé Povinho. As circunstâncias assim o exigem.

Ps: Já descobriram os ip dos anónimos? Mas olhem primeiro para os vossos comentários anónimos. E para a origem das cartas. O que me intriga é que há gente que acha que a polícia tem tempo para se preocupar com tontices. O pior é se há polícias que também acham isso. Saber leis não é tudo... Há que saber fazer cumprir...e definir prioridades.

PSD

Independente

PS

396

287

137

198

143.5

68.5

132

95.6

45.6

99

71

34.2

79

57

27

Eleições em Mira


"O PS venceu as eleições de ontem para a Câmara Municipal de Mira infringindo ao PSD uma derrota extrondosa".
Extrondosa?!!! Deve ser uma palavra derivada de extraordinária. O PSD terá tido uma grande derrota, mas e o PS terá tido uma vitória estrondosa? Se olharmos para o concelho vizinho, Cantanhede, em que o PSD teve 67% dos votos (14 mil votos), aí diremos que passou por lá um cilindro laranja do João Moura. Mas nesse caso estamos a falar doutra coisa, estamos a falar dum concelho que tem uma zona industrial minimamente decente. O PS em Mira teve uma vitória estrondosa, portanto! Com 56% dos votos teve uma grande votação. Está bem, mas vamos lá ter em conta uma coisa: quase 45% das pessoas (nas legislativas até é maioria absoluta) não queriam os rosas na Câmara de Mira. Quase metade dos votantes queriam outra gente a gerir os destinos de Mira. Já não parece um estrondo tão grande.

Vejamos esta introdução: penso que é pacífico aceitarmos como certo que em Portugal existem 6 milhões de pessoas, grosso modo, que dependem do estado. Funcionários públicos, reformados, salários, pensões, subsídios de saúde, subsídio de desemprego, abono de família sem contar com as indústrias de Manuel Amorim, Manuel Fino que também dependem do estado, bem como a Mota Engil que tem negócios com o estado.
Mira tem 13 144 habitantes. Só 4587 camaradas é que votaram no PS para a câmara.
Cada família tem mais ou menos como agregado familiar 5 elementos (se não são 3 filhos, tem o avô, o tio solteiro, etc). Façamos esta conta: 4587/5. Obtemos 917 pessoas, mais ou menos 900. Fixem.
Lisboa tem um funcionário camarário para cada 100 habitantes. Com esta média (que é altíssima em relação a Madrid e Barcelona), Mira teria 14 funcionários camarários. Mas não tem só 14 (nem era possível obviamente, a avaliar pela quantidade de pessoas que se movimentaram atrás dos balcões da festa de São Tomé). Não sei quantos funcionários tem, até porque nem consigo aceder neste momento (que azar ou coincidência) ao http://www.cm-mira.pt/ . Suponhamos que tem 50 funcionários. A Pescanova tem 200 postos de trabalho directos e 600 indirectos. Partimos do princípio que 500 trabalhadores possam ser de Mira. Suponhamos que existem em Mira 50 viciados em PS e correligionários desse partido. Imaginemos que nos últimos 4 anos, 300 pessoas conseguiram obter uma licença, construir um muro, levantar uma casa, obtiveram uma estrada a passar por um empreendimento turístico, obtiveram uma condescendência, uma atençãozinha, e coisas normais como estrada pavimentada à porta, sanamento básico, etc.

Contas feitas, 50+500+50+300 = 900 pessoas.
900 * 5 = 4500 pessoas = 56% dos votos.
Foi assim tão difícil? E não estou a dizer se foi bom ou mau. Porque se o PSD tem ganho, nem quero imaginar a quantidade de funcionários que seriam varridos para entrar a trupe laranja toda. A quantidade de indeminizações, de zangas, de quezílias. Porque para ser funcionário, o critério qualidade não é o que vem no topo, todos sabemos que é o critério cor política.
Ou esquecem-se do caso vergonhoso que foi para tribunal, em que uma funcionária da câmara de Mira aqui há uns anos andou meses sem receber e a trabalhar para a câmara porque foi apanhada a meio de eleições, e a cor dela tinha perdido e queriam-na mandar porta fora. PODRIDÃO!!!!!!!

Conclusão.
PS ganhou e bem, tinha a faca e o queijo na mão. Com 56% da populaçã0 (será?) a querer a continuidade, significa que em Mira há qualidade de vida e que o concelho está no bom caminho.
Do PSD não há muito a dizer, não tiveram capacidade para mais (arranjar um candidato a sério, pelo menos).
O movimento pseudo independente (quando o líder já esteve lá dentro pela cor rosa, não é independente coisa nenhuma, foi uma maneira de lavar as mãos e de distanciar-se da classe política, tipo Pilatos) não se portou nada mal. Para dissidentes Rosas e algo restringidos à Praia de Mira, os 890 votos foram positivos.
Da CDU não sei do que é que se trata.
Mais de 300 pessoas votaram nulo ou branco o quer dizer alguma coisa.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Apanha-os...se puderes...





Eles andam aí... na caça às bruxas...em seco...

Tenham paciência, contentem-se a fazer as vossas censurazitas nos vossos sitezinhos...

Vivem mesmo no feudalismo...

Afinal há muitos rabos de palha...

E muitas carapuças...

O que não estavam à espera é que isto não estivesse "standing in the way of control".

Apanhem-nos se puderem... esses malvados.

Viva a liberdade!

Aí estão eles!


Aí está a nova equipa para acabar com o resto, ou não...
Continuo a não concordar com a existência ao mesmo tempo de um líder da bancada parlamentar do PS, um ministro da presidência e um ministro dos assuntos parlamentares. Para quê? Um mata, o outro esfola e o outro varre.
Vamos ter um ministro da defesa que sabe malhar no inimigo. Malta da tropa, agora é que vai! Estou curioso para ver a escritora Isabel Alçada como ministra da educação.
Ah, finalmente o Alberto Martins chegou a ministro. Ministro da justiça. É advogado, só tem que fazer um bom trabalho e mais nada. E o da agricultura, aquilo trata de quê?
17 pessoas e 230 deputados para quê? Nem quero contar os acessoresdos acessores.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Informação


Um cidadão de qualidade, tem que ser, para começar, um cidadão informado e esclarecido. Já agora, só para informar...

A propósito da inauguração do Lar de idosos do Seixo...

“Encontrámos nas IPSS’s as parcerias modelo para concretizar os objectivos de apoio aos mais necessitados”, salientou Pedro Marques, Secretário de Estado da Segurança Social, avançando que “estamos a construir mais solidariedade, mais emprego, mais coesão social”. Falando na Erradicação da Pobreza (assinalado dia 16), Pedro Marques disse que “o governo tem apostado no complemento solidário para idosos, medida que também está a ser implementada no concelho de Mira”, salientando que “em breve será protocolado um acordo de cooperação em que a Segurança Social transferirá para o Centro Social e Paroquial a verba de 125 mil euros por ano para o seu funcionamento sustentado”. in
http://www.amicor.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1695:seixo-de-mira-inaugurou-lar-de-idosos&catid=64:regioes&Itemid=81


Ps: Alguém viu, leu ou ouviu o caso do parque infantil da Praia de Mira instalado em cima de um depósito de combustível??? Eu depois conto isso melhor...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O que está é o que é...


Peço desculpas ao MAR, havia dito que não conseguiram eleger nenhum deputado. No entanto, apesar de não ter eleito nenhum vereador para a Câmara, elegeu 2 deputados para a Assembleia Municipal.

Vai sair um post sobre como se formam as mesas de voto no Seixo e em qualquer lado, livre de tabus e independente de interesses. Uma coisa apostava, se passassem o medo que se viveu neste Domingo na freguesia do Ermelo em Mondim de Basto, mesmo com 40 homens da GNR, os sujeitos meseiros seriam outros. A escolha obedeceria a outros requisitos... tipo carne para canhão.
Obras. Quando um gajo (uma entidade particular) quer fazer umas obras na casa, ou é muito rico e despesista e vai bater à porta do primeiro empreiteiro da construção civil que lhe aparece na lista ou então fala com vários agentes desse ramo e pergunta pelo melhor orçamento, por aquele que lhe garanta melhor relação qualidade/preço. Nas Câmaras quando os custos das obras são superiores as 5 mil euros, são sujeitos a concurso. No estado fazem adjudicações. E no Seixo-feudalismo como é que é? Como é que se faz para ganhar a possibilidade de executar as obras do Salão, da ACR secção de futebol, entre outras? Não ouço nada, está nevoeiro.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mein Kampf

A luta para munir o povo de competências para que consiga mobilizar um conjunto de saberes, de recursos, de instrumentos, de capacidades (integradas, estruturadas e combinadas) com o objectivo de tornar o povo com um assertivo espírito de cidadania, mais interventivo, mais crítico, mais reflexivo, mais autónomo, mais responsável, mais capaz de agir... é uma luta que continua, serenamente...